VINHO DO
PORTO
Definição:
Este vinho produz-se na Região Demarcada
do Douro que se situa nos vales do rio homónimo e de alguns dos seus afluentes
tais como o Corgo, o Távora, o Pinhão, o Tua, o Torto, o Côa e o Sabor.
A Região estende-se desde Barqueiros até Barca D'Alva, quase na
fronteira com Espanha.
Foi em 1757 que o Marquês de Pombal
mandou
demarcar a Região do Douro,
tendo sido esta a primeira Região demarcada do mundo. Nos terrenos xistosos
desta região, são cultivadas, entre outras castas, a Bastardo, a Mourisco
Tinto, A Tinto Amarelo, a Tinto Barroca, a Tinto Francisca, a Tinto Roriz, a
Tinto Cão, a Touriga Francesa e a Touriga Nacional.
Situada no nordeste de Portugal, na
bacia hidrográfica do Douro, rodeada de montanhas que lhe dão características
mesológicas e climáticas particulares, a região estende-se por área total de
cerca de 250 000 ha, estando dividida em três sub-regiões naturalmente
distintas, não só por factores climáticos como também sócio -
económicos.
Essas características existentes na região do Douro são
condicionadoras do aproveitamento económico dos recursos naturais e das
actividades aí desenvolvidas.
Antigamente, era apenas no Alto Douro
que a cultura da vinha tinha grande expansão, sendo nessa altura a designação
de " Alto Douro " adoptada pelos autores para se referirem à zona vinhateira
que hoje é o Baixo e o Cima Corgo.
Um dos limites originais de
demarcação separava o Alto Douro do Douro Superior, na zona do Cachão da
Valeira. Esta divisão devia-se a um acidente geológico (o monólito de granito
existente no rio que impedia a navegação do Rio Douro para montante desse
obstáculo).Era visível a diferença entre as duas zonas, bastando verificar o
desenvolvimento mais notório da cultura da vinha no Alto
Douro.
Posteriormente, com a remoção do bloco de granito no reinado de
D. Maria, a cultura da vinha estendeu-se para leste, embora continuando a
representar no Douro Superior uma importância menor do que no Alto
Douro.
Com a reforma administrativa de 1936, a própria região do Alto
Douro passou a ser designada por Baixo Corgo e Alto Corgo, servindo esta
subdivisão também para diferenciar os vinhos produzidos numa ou noutra
sub-região.
A áera de vinha assume maior importância no Baixo Corgo,
onde ocupa cerca de 29,9% da área desta sub-região, que se estende desde
Barqueiros na margem Norte e Borrô na margem Sul até à confluência dos rios
Corgo e Ribeiro de Temilobos com o Douro
O Cima Corgo estende-se para
montante até ao Cachão da Valeira, tendo menor importância a área cultivada de
vinha. O Douro Superior prossegue até à fronteira com
Espanha.
A individualidade do Douro deve-se à
sua localização, sendo grande a influência que exercem as serras do Marão e de
Montemuro, servindo como barreira à penetração dos ventos húmidos de oeste.
Situada em vales profundos, protegidos por montanhas, a região caracteriza-se
por ter invernos muito frios e verões muito quentes e secos.
A
precipitação, distribuída assimetricamente, varia com regularidade ao longo do
ano, com valores maiores em Dezembro e Janeiro (nalguns locais em Março), e
com valores menores em Julho ou Agosto. Nos meses mais chuvosos, a
precipitação tem valores entre 50,6 mm (Barca d'Alva - Douro Superior) e 204,3
mm (Fontes - Baixo Corgo); nos meses menos chuvosos, os valores de
precipitação oscilam entre 6,9 mm (Murça - Cima Corgo) e 16,2 mm (Mesão Frio -
Baixo Corgo). Em termos de valores anuais, estes variam entre 1 200 mm
(Fontes) e 380 mm (Barca d'Alva), podendo dizer-se que a quantidade de
precipitação decresce de Barqueiros até à fronteira espanhola.
A
exposição ao sol, factor fisiográfico de grande importância na caracterização
climática de qualquer região, reveste-se no Douro de redobrado interesse já
que permite uma melhor compreensão do comportamento da vinha nas diferentes
situações. A margem norte do rio está sob a influência de ventos secos do sul,
estando a margem sul exposta aos ventos do norte, mais frios e húmidos, e a
uma menor insolação. A temperatura do ar é mais alta nos locais expostos a sul
do que nos locais expostos a norte. As temperaturas médias anuais variam entre
11,8 e 16,5 ºC. Os valores máximos das temperaturas médias anuais
distribuem-se ao longo do Rio Douro e dos vales dos seus afluentes, em
especial os da margem direita (nomeadamente rio Tua e ribeira da Vilariça).
Relativamente às amplitudes térmicas diurnas e anuais, verifica-se que têm
maior valor em Barca d'Alva e menor valor em Fontelo, facto que é explicado
pela distância ao mar