Giuseppe Verdi

A missa seguia normalmente na igreja da cidadezinha italiana de Roncole. Em um determinado momento, o padre pediu ao coroinha que lhe passasse a água benta. O menino, distraído com a música que do organista, esqueceu-se de passar a água. Irritado, o sacerdote deu-lhe um pontapé, lançando-o fora do altar. Ao ser socorrido, o menino simplesmente disse: "Deixem-me estudar música!". Nascido em 1813, o pequeno Giuseppe Fortunino Francesco Verdi já havia escolhido sua carreira.

Cedendo ao apelo, seu pai, proprietário de uma pequena estalagem, comprou uma espineta e permitiu que o filho estudasse. Em poucos anos tornou-se organista da igreja de sua cidade natal. Para prosseguir seus estudos, o menino, agora com 12 anos, partiu para a cidade vizinha, Busseto, onde se tornou protegido de Antonio Barezzi, rico comerciante que lhe financiou os estudos de música. Aos dezoito anos, o jovem Verdi partiu para Milão, buscando uma vaga no famoso Conservatório dessa cidade. O conservatório, porém, só aceitava alunos com menos de 14 anos. Verdi, que não tinha nenhum talento especial, tampouco era um virtuose como instrumentista, foi rejeitado. Sem desanimar, arranjou um professor particular e prosseguiu em seus estudos musicais por três anos.

Novamente chamado à Busseto, onde foi indicado para Mestre-de-Capela e maestro da banda da cidade, Verdi enfrentou a ferrenha oposição de partidários de outros músicos, que não viam com bons olhos seus progressos. O próprio compositor resolveu a situação: sempre contando com o apoio de Barezzi, partiu definitivamente para Milão, onde esperava fazer sucesso com suas óperas. Não partia sozinho: Margarida Barezzi, agora Margarida Verdi, filha de seu protetor, acompanhou-o para a nova cidade.

Após muitos problemas e dificuldades, Verdi finalmente conseguiu, em 1839, sua ópera Oberto, Conde di San Bonifácio fosse montada no Scala de Milão. O grande sucesso fez com que o editor Ricordi não apenas comprasse a partitura, mas também encomendasse mais três óperas. Mas os ventos ainda não estavam a favor do compositor. Em menos de um ano, sua mulher e seus dois filhos morreram. Para completar, sua ópera Un giorno di regno foi um fracasso. Deprimido, Verdi jurou nunca mais compor.

Sua resolução não conveceu o diretor do Scala, Bartolomeo Morelli, que meses depois entregou ao compositor um novo libretto, mas sem nenhum compromisso. Verdi leu o texto, impressionando-se à medida que avançava. Em pouco tempo o libretto estava completamente musicado, e Nabucco, um de seus maiores sucessos, estava pronto.

Essa ópera refletia os anseios de liberdade do povo italiano, dominado por franceses e austríacos. A platéia identificou os sofrimentos da Itália aos do povo hebreu, e o coro "Vá pensiero" tornou-se uma espécie de símbolo. Consagrava-se o nome de Giuseppe Verdi, não apenas como compositor, mas como um dedicado nacionalista.

Os anos que se seguiram entraram numa espécie de rotina, que o próprio compositor chamava de "anos nas galés". Uma após outra, suas óperas tornavam-se sucessos que divulgavam seu nome por todo o mundo, de Buenos Aires a São Petersburgo. São desta época Ernani, Il Trovatore, Rigoletto, Un Ballo in Maschera e Don Carlos. Um de seus poucos fracassos foi justamente o de La Traviata, que viria a se tornar um de seus maiores sucessos. Após a morte de sua primeira mulher, Verdi passou a viver com Giuseppina Strepponi, com quem se casou depois de dez anos de vida comum.

Aclamado como compositor, era visto por seus compatriotas como um defensor Itália. Por uma feliz coincidência, mesmo seu nome facilitava as coisas: quando o povo gritava "Viva Verdi", queria na verdade dizer "Vittorio Emmanuele, Re D’Itália" . Com a unificação da Itália, o compositor foi nomeado deputado e depois senador, mas não tinha inclinação para as longas discussões políticas no parlamento, preferindo a tranquilidade de sua Villa, em Santa Agata.

Sua criatividade não estava esgotada: em 1871 escreveu Aida, para comemorar a abertura do canal de Suez. Com a ajuda de um jovem poeta e compositor, Verdi ainda escreveria duas óperas, Otello e Falstaff baseadas em Shaekespeare, e algumas peças religiosas.

Em 1901 sofreu um ataque cardíaco, que o levou em 27 de janeiro. Toda a Itália ficou de luto por seu amado compositor e patriota.

Obras

Se você detesta ópera, não sei o que está fazendo aqui. Em todo caso, recomendamos vivamente os trechos mais famosos, que são uma excelente introdução ao estilo de Verdi. La Donna é Móbile, de Rigolletto, o Coro dos Ferreiros e o Miserere, de Il Trovatore, Un dí felice eterea e Libiamo, libiamo, de La Traviata, bem como a Marcha Triunfal de Aída são o que Verdi tem de mais popular, parte do ele sabia fazer de melhor: melodias agradáveis, difíceis de esquecer.

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